sábado, 10 de novembro de 2012


RECEITAS DO TEMPO DA VOVÓ ....

Mais do que um projeto pessoal, esse texto é uma homenagem à minha avó Terezinha e tem como principal motivo poder passar a todos vocês um pouco da estória, dos cheiros, dos gostos e das boas lembranças que guardo da minha infância.
Para melhor compreensão, preciso traçar uma linha do tempo e fazer uma pequena demonstração da minha árvore genealógica. Pois bem. Vou começar do fim.
Moro em Porto Alegre com meu marido e minha filha. A mudança para Porto Alegre foi uma opção. Antes disso morei no Rio de Janeiro, cidade que me fez profissional, mulher e onde tenho família e amigos. Até hoje se me perguntam de onde sou, respondo: do Rio ! É uma questão de identificação de alma. É claro que se a conversa durar mais de 5 minutos, explico toda a origem. Antes do Rio de Janeiro, morei com família (pai, mãe e irmã) em Recife, apesar de ter nascido em João Pessoa. Logo, literalmente cruzei do Oiapoque ao Chui.
Meus pais são nordestinos, sendo meu pai natural de Santa Rita, na Paraíba e minha mãe, natural de Monteiro, também uma cidade do Estado da Paraíba. É nessa cidade – MONTEIRO – onde tudo começa ...
Era lá que morava minha avó Terezinha, com quem eu passava todas as minhas férias, rodeada de primos. Como era bom. Eu tinha 11 tios e a maioria tinha filhos e ainda moravam em Monteiro. Aquelas férias são inesquecíveis. Cidade do sertão da Paraíba, onde tínhamos total liberdade de passear pelas ruas, ir a casa dos familiares e amigos, andar a cavalo e, passear a noite no Coreto da Praça ... depois de ter ido à missa, é claro, já que no interior e, principalmente com a minha avó, ir a missa de domingo era obrigatório.
Aqui consigo começar a situar a origem deste projeto. Minha avó era uma pessoa maravilhosa, muito religiosa e, principalmente, uma cozinheira de “mão cheia”, como diziam naqueles tempos. A casa da minha avó era grande e espaçosa, apesar de ser um lugar muito simples, como era e ainda é comum nas cidades do sertão nordestino. A cozinha era espaçosa, tínhamos fogão a gás e a lenha e uma mesa de jantar enorme, cabiam umas 20 pessoas sentadas (em um banco contínuo) tranquilamente.
As refeições eram o momento mais esperado do dia e das festas. Todos os filhos, netos, sobrinhos e até vizinhos apareciam na hora das refeições, sempre prontos e desejosos por comer aquela comida tão saborosa. Eram pratos que minha avó fazia com maestria e sem qualquer preocupação com caloria, colesterol, gordura, entre outros problemas que hoje rondam nossas cabeças.
Lembro perfeitamente do cheiro da comida e de alguns pratos em especial, como o salpicão na noite de Natal, os sequilhos,  o “bolo de caco” ... são únicos e colocam no bolso qualquer chef de cuisine.
Todo o talento gastronômico da minha avó foi herdado por minha mãe, que também cozinha divinamente e por minha irmã que, aos 11 anos de idade, pediu para fazer um curso de culinária. Naquela época não era in ser chef e eram poucos os cursos de culinária na cidade. Sim, curso de culinária ... gastronomia é o nome moderno. Para mim, filha caçula, não sobrou nada deste talento. A única coisa que eu fazia bem àquela época era um bom ovo mexido que meu pai (acho que para me fazer feliz) dizia que era o melhor ovo mexido do mundo. Coisas de pai ...
Com o talento herdado por minha irmã, em 1991, minha avó resolveu presenteá-la com um “CADERNO DE RECEITAS”. Ela escreveu todas as receitas, de próprio punho, com aquela letra maravilhosa de professora, cujas fotos ilustram este blog. Tempos depois, como minha irmã já tinha talento de sobra, resolvi pegar este caderno emprestado e nunca mais o devolvi. Confesso que são pouquíssimas as receitas que consigo fazer, pois a linguagem, os ingredientes e o grau de dificuldade das mesmas não me permitem tamanha aventura, mas jamais consegui devolver esta obra de arte, pois leio as receitas como se elas fossem um conto. Consigo imaginar a minha avó fazendo cada uma destas receitas em sua cozinha.
Agora, resolvi compartilhar algumas destas receitas com todos vocês, como uma forma de prestar-lhe uma homenagem e com o objetivo de eternizar estas sábias lições de doçura e sabor.
Importante frisar que a transcrição das receitas é literal. Peço desculpas pelos erros de gramática e ortografia, mas a beleza destas receitas está na forma como elas foram escritas, dado o carinho e a pessoalidade nelas impressas.
A minha avó, meu MUITO OBRIGADA !!!!
A todos aqueles, familiares e amigos, que comeram um “quitute” da D. Terezinha, segue uma lembrança.

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